sábado, 17 de dezembro de 2016

 Os temores dos escritores


Cecília Meireles, a nossa grande poetiza, nos brindou com um lindo poema que é uma confissão de medo e preocupação, com o que as ninfas inspiradoras nos brindam quando escrevemos:

Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade, e não pena.

Anjos de lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,
fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria
da minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.
O mistério do meu canto,

Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
-
todos perdidos de encanto,
só eu morrendo de triste!

Por assim tão docemente
meu mal transformar em verso,
Oxalá Deus não o aumente,
para trazer o Universo
de p
olo a polo contente”

Cecília Meireles temia que quando seus versos fossem mais tocantes e inspiradores, mais sofrimentos viriam para ela, para que ela fosse mais “produtiva”.
Essa é a mesma preocupação de um outro poeta e escritor famoso português, Fernando Pessoa, quando revela:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.”

Livros, poesias, e artigos com pesquisas
Devemos aqui fazer uma distinção entre poesias e artigos com pesquisa científica: num artigo onde são citados cientistas, pesquisadores, estudiosos, psicólogos médicos, claro que os temas são embasados em estudos e pesquisas sérias.
O colunista apenas dá voz aos citados em seus artigos.
Quando, porém, escrevemos nossas próprias opiniões, nossa maneira de ver o mundo ou escrevemos literatura e filosofia, aí estamos sob o domínio das “ninfas”, que podem ou não nos conduzir pelos domínios da verdade absoluta.

Os bastidores dos sites de conteúdo
Este artigo tem o único propósito de mostrar os bastidores de uma redação de jornal, ou a redação de um site de conteúdo, ou mesmo a maneira que sente um escritor de ficção, poesia ou contos de ação. Os escritores são tão humanos como os leitores. São tão buscadores de solução como dos que os leem.
Apenas se diferenciam porque conseguem colocar no papel as suas angústias, suas descobertas e suas “certezas”. Daí que sempre incentivei os leitores a escreverem. Escreverem sempre, mesmo que no começo sintam que sai tudo torto ou cheio de erros. Isso é normal: será a insistência e a prática que farão com que o processo seja lapidado e os artigos ou poesias se tornem mais “redondos” e inteligíveis.
O segredo é colocar no papel nossas angústias, porque isso é um santo remédio, uma terapia gratuita que pode nos tornar mais calmos e mais felizes.
Por isso, escreva: escreva muuuuuuuuuuuuuuuuuito!

5 Dicas para se escrever um conto simples:



Luiz Polito

Nenhum comentário:

Postar um comentário