Eclesiastes
Esse é um pequeno e intrigante livro de poucas folhas, que está na nossa Bíblia, onde estão escritas coisas que nos surpreendem.
Na Bíblia católica, tem mais outro livro, chamado Eclesiástico.
Estou lendo o livro “Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdã, que me lembrou Eclesiastes, por isso resolvi abordar o tema Eclesiastes com mais detalhes, porque aqui se encontra um tipo de sabedoria fina e irônica, porém fundamental para que se possa ter uma vida salutar nesta Terra.
“Vaidade das vaidades!Tudo é vaidade! (ou “Tudo é Fugaz”- conforme a versão católica).
Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol? (Ecles. 1:1-3)
Assim começa Eclesiastes, aparentemente pessimista, mas que é um livro “profundamente lúcido, crítico e realista sobre o povo da Palestina, por volta do século terceiro antes de Cristo. A Palestina era então uma colônia do império grego dos Ptolomeus, ao qual devia pagar pesados tributos… O autor escreveu durante esse tempo de exploração interna e externa (250 aC) que não deixava esperanças de futuro melhor para o povo.
Num mundo sem horizontes, ele fez um balanço sobre a condição humana, buscando apaixonadamente uma perspectiva de realização” (Bíblia Edições Paulinas,pg.859).
Eclesiastes continua:
“O que foi, é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: nada há, pois, novo debaixo do sol” (Ecles. 1:9)
“Eu, o Pregador,…rei de Israel, em Jerusalém…Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento”(1:12,14)
“Apliquei o coração a conhecer a sabedoria…e vim a saber que também isto é correr atrás do vento. Porque na muita sabedoria há muito enfado (tristeza) e quem aumenta ciência, aumenta tristeza (ou “onde há mais conhecimento, há mais sofrimento). (Ecles.1:17-18 e entre parênteses, a versão Paulinas).
(Comentário):
Isso é verdade:Quanto mais sabemos, mais sofremos.A verdade quase nunca é indolor.
O ignorante (no sentido literal,ou seja,o que ignora muitas coisas)sofre menos, pois não tem muita responsabilidade com nada. Vive quase que pelos instintos, quase igual aos animais ou às plantas- que seguem o que a natureza lhes proporciona.
E no final da vida, os ignorantes ainda serão salvos, enquanto os que conhecem muitas leis por elas serão julgados :-)
Porém, essa visão de que é melhor ignorar as coisas do que se tornar um sábio, é uma faca de dois gumes, porque “o conhecimento é poder” e também porque parece ser uma coisa inevitável a gente, principalmente hoje em dia, poder alegar ignorância, com tanta informação à disposição de todos.
E tem a frase dita pelo Senhor, de que o conhecimento da Verdade nos “libertará”.
Voltemos ao Eclesiastes:
Depois de dizer o Pregador que “Melhor…é o dia da morte…do que o do nascimento” (Ecles.7:2), ele diz que “Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração” (Ecles.7:3).
O Pregador também fala de um erro que muitos de nós cometemos:
“Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes?(Ecles.7:10)
Embora o Pregador diga:
“Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?”
Ele reconhece que:
“A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade”(7:16, 19)
Uma pérola do livro Eclesiastes:
“Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes a vitória, nem tão pouco dos sábios o pão, nem ainda dos prudentes a riqueza, nem dos entendidos o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso”(9:11)
Não é surpreendente? Tudo depende do tempo e do acaso… O que será que quis dizer o Pregador com isso?
Numa versão da Bíblia de 1961, diz diferente: “o Tempo e a Sorte pertencem a todos”.
Acho que esta versão mais antiga está mais correta que a outra…
Vejam agora como o Eclesiastes é atual:
“Ainda há um mal que vi debaixo do sol, erro que procede do governador: o tolo posto em grandes alturas, mas os ricos assentados em lugar baixo” (10:4) .
Na versão Paulinas diz: “O insensato ocupando os mais altos cargos e os hábeis em posições inferiores”.
Muito ainda a ser dito do Eclesiastes
Vou só encerrar com mais um versículo:
“Alegra-te, jovem, na tua juventude. e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém. que de todas estas coisas Deus te pedirá conta” (11:9).
Ou seja: “o homem existe para que tenha alegria”conforme lemos no Livro de Mórmon. Não devemos, porém, esquecer de que teremos de responder por todos os nossos atos, e de que somos livres para escolher nossos atos, mas não podemos escolher as consequências de nossos atos…
Resumo da ópera:
Vivamos a vida, mas com cuidado :-)